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Você me matou

Prometi nunca mais voltar ao passado, eu sei. Prometi que nunca mais escreveria sobre você, mas eu preciso, só hoje. Preciso te dizer uma coisa que me entalou aqui no peito. Eu me arrependi. Você é a unica coisa que me arrependo amargamente. Não sei se terei coragem de contar sobre você para meus filhos, talvez para você não tenha a minima importância, mas mesmo querendo apagar de mim tudo, foi importante. Confesso, eu te amei. Mas também confesso que hoje detesto até ouvir seu nome (ou o nome que criou para mim), meu corpo treme de raiva quando alguém me lembra sobre você, não sinto vontade de chorar, mas de te enforcar. Ok, talvez eu esteja exagerando. Eu nunca soube como te perdoar, e ainda hoje eu te culpo por tudo, pois você cavou, cavou, tirou de mim tudo (o melhor e o pior), foi embora e ainda assim continuou me matando e me fez matar outros também. Te culpo pelos meus erros, pelos meus desesperos, pelos meus choros, pelas as pessoas que me olhavam com desprezo, pelos meus medos; te culpo por matar a melhor parte de mim. Te culpo por me destruir por dentro, por arrebentar meu coração. Sabe, quantas pessoas me culparam de coisas que eu fiz por raiva de você? Sabe quantas coisas eu ouvi? Sabe quantas pessoas me julgaram? Não, você não sabe e não importa nada disso a você. Hoje, depois de muito tempo eu lembrei de você, infelizmente por ler teu nome, me falaram sobre você, e eu lembrei, mas não queria, então eu decidi te odiar um pouco mais. Não sei dizer mais teu nome, não permito dizer, não sei, é algo dentro de mim, mais forte. Você me fez perder coisas, pessoas, amigos.
Vivi um mundo de mentira, de depressão, e quando me arrancaram de você, eu pirei. Mas quando me tiraram de você, me levando a outro mundo, me levaram para a luz, e eu agradeço. Você é culpado de tudo que aconteceu comigo, me matou, me destruiu, fez com que eu destruísse outros, arrancou e levou parte de mim, mas EU ME RECONSTRUÍ. Me refiz. Hoje sou feliz, sou alguém diferente da qual você me conheceu, a menina cresceu. Carrego dores, mas também sei carregar sorrisos e alegrias, confesso me tornei muito mais medrosa, menos observadora, mas muito mais ativa, aprendi a viver depois de você, mas não te agradeço por nada.

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